Baianos premiados no Festival de Brasília 2008
Publicado por Fausto Junior em 26 Nov 2008 | sob: Notícias
Festival de Brasília premia filmes baianos “Tudo Isto Me Parece um Sonho” e “Cães”
http://www.cineinsite.com.br/materia/materia.php?id_materia=8456
João Carlos Sampaio, de A Tarde

Adler Kibe Paz, Lula Oliveira e Moacyr Gramacho
Mesmo numa edição que sofreu controvérsias por conta da predominância de documentários na mostra principal, o 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro se manteve fiel às tradições premiando “FilmeFobia”, uma obra com opções narrativas radicais.
A fita arrebatou cinco troféus Candango, incluindo os de Montagem, Direção de Arte, Ator (para Jean-Claude Bernadet), além de ser eleito Melhor Filme pelo júri oficial e da crítica.
A noite de premiação, ocorrida no Cine Brasília, tradicional palco do festival, na última terça-feira(25), guardou boas surpresas para a Bahia. O veterano cineasta Geraldo Sarno, 70 anos, baiano de Poções, foi escolhido como Melhor Diretor pelo filme “Tudo Isto Me Parece um Sonho”, um perfil do General Abreu e Lima, que lutou, com Simon Bolívar, pela libertação de antigas colônias espanholas na América do Sul.
O filme levou ainda o Candango de Melhor Roteiro, um prêmio um tanto estranho, já que o próprio diretor havia explicado que a fita foi desenvolvida a partir de um plano de filmagem aberto, que vai se desenhando no curso das filmagens. Por outro lado, a obra ficou sem o prêmio de Fotografia, apesar do impressionante trabalho da dupla Pedro Urano e Pedro Semanovischi.
Menos mal que Semanovischi acabou premiado como Melhor Fotógrafo na categoria de curta-metragem, pela primorosa fotografia em preto e branco no sertão com ares de pesadelo do filme “Cães”, de Adler Kibe Paz e Moacyr Gramacho. O curta baiano ganhou ainda os troféus de Melhor Ator (Hilton Cobra) e Melhor Filme, pelo júri da crítica.
Cães foi batido nas principais categorias pelo curta pernambucano “Superbarroco”, de Renata Pinheiro, que levou Melhor Filme e o Prêmio Aquisição do Canal Brasil, e por “Brasília” (título provisório), de J. Procópio, o Melhor Filme segundo o júri popular.
Com quatro documentários e apenas dois filmes de ficção, o júri oficial teve dificuldade em conferir os prêmios de interpretação em longa-metragem. Optou por medidas políticas, concedendo Melhor Atriz e Atriz Coadjuvante ao coletivo das intérpretes femininas do filme cearense “Siri-Ará”, de Rosemberg Cariry.
O ator paraibano Everaldo Pontes foi escolhido como Melhor Coadjuvante por sua atuação no mesmo filme. Já o de Melhor Ator coube a Jean-Claude Bernadet, famoso ensaísta e estudioso de cinema, que realmente interpreta um personagem em “FilmeFobia”.
Seguindo outra tradição dos festivais brasileiros, a de pulverizar os prêmios para afagar todos os concorrentes, o júri concedeu prêmios aos outros três filmes da seleção oficial.
O documentário “À Margem do Lixo”, de Evaldo Mocarzel, ganhou os Candango de Melhor Fotografia e Prêmio Especial do Júri (levou ainda o do júri popular).
Já “Milagre de Santa Luzia”, de Sergio Roizenblit, ficou com o Candango de Trilha Sonora e o documental etnográfico “Ñande Guarani”, de André Luís da Cunha, levou o troféu de Melhor Som. O grande vencedor na categoria 16mm foi “Cidade do Tesouro”, de Célio Franceschet.
Confira a lista de premiados do 41º Festival de Brasília.
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