Vejam as fotos das gravações de Doido Lelé em:
www.atarde.com.br/fotos/index.jsf?id=970467

Roberto Midlej, do A TARDE

Uma é baiana, jornalista e cineasta. A outra, carioca, também é
diretora de cinema e, apesar de não ter nascido em Salvador, tem
fortes ligações com a terra, afinal, seu avô, Jorge Amado, além de
ser baiano, mostrou, em seus livros, a Bahia para o mundo.

Essas mulheres são Ceci Alves e Cecília Amado, que dirigem,
respectivamente, Doido Lelé e Capitães da Areia. O primeiro é um
curta-metragem de ficção com roteiro original e com duração de 15
minutos. Em 2006, venceu um edital do Ministério da Cultura, quando
concorreu com 980 projetos. Foi um dos 20 vencedores e levou o
prêmio de R$ 80 mil.

Doido Lelé, que foi filmado nesta semana em Salvador, é a história
de um menino de 12 anos que, nos anos 50, sonha ser cantor. Para
realizar o sonho, o protagonista do filme freqüenta os programas de
calouros, onde canta músicas como Coração Materno, de Vicente
Celestino.

doidolele

O argumento do filme é baseado em uma história que a diretora já
conhece: “Na década de 50, meu pai fugia do quartel para cantar nos
programas de calouros quando tinha 19 anos, mas sempre levava gongo.
Um dia compôs a música Doido Lelé e, com ela, acabou ganhando um dos
concursos. Meu pai contava isso a vida toda”, fala, empolgada, a
diretora Ceci Alves, que é especialista em montagem e direção pela
cubana Escuela Internacional de Cine y TV.

A música que embala o filme não é a mesma composta por Davi Caetano
dos Santos, pai da diretora. Mas a nova canção encontrou um ótimo
compositor, o baiano Gerônimo. “Mantivemos o refrão original de meu
pai. Mas o mais incrível foi ver como Gerônimo traduziu na música o
roteiro do filme”, elogia Ceci.

Protagonizado por Vinicius Nascimento (o Cosme, do filme Ó Paí, Ó),
Doido Lelé vai ser exibido em festivais. A diretora diz que também
tentará uma parceria com salas de exibição.

CAPITÃES – Já a história de Capitães da Areia, que começou a ser
filmado na última segunda-feira, é velha conhecida. A turma de
garotos liderada por Pedro Bala foi criada na década de 1930 e a
história se passa, originalmente, naquele período. Nas telas, foi
transposta para a década de 1950, mesmo período de Doido Lelé. O
valor da produção é incomparavelmente superior ao do curta baiano:
R$ 8 milhões.

capitaes

Os 12 jovens protagonistas passaram por uma oficina de quatro meses,
após uma seleção entre mais de mil meninos vindos de organizações
não-governamentais baianas. “Eles foram escolhidos não só por
características físicas, mas pela individualidade e pelo clima de
cada personagem. O Boa-Vida, por exemplo, é do humor, tem tiradas
fortes, e ironia rápida. Por isso, escolhemos um menino com esse
lado desenvolvido”, afirma Cecília Amado, que foi assistente de
direção em Jogo Subterrâneo (2005) e Batismo de Sangue (2006) e
agora estréia na direção de longas.

Cecília faz um balanço muito positivo da experiência: “Na oficina,
que foi conduzida pelo preparador de elenco Christian Duurvoort (de
Cidade dos Homens), os meninos estavam sempre juntos e eles acabaram
criando um vínculo de família muito forte”, recorda-se.

Tal qual o personagem protagonista de Doido Lelé, os meninos do
elenco de Capitães da Areia também têm seus sonhos, como conta
Cecília: “Com o primeiro salário que recebeu, Jean Luís [que
interpreta Pedro Bala] comprou uma bicicleta. Ele é de família
carente, os pais dele precisam de dinheiro, mas, ainda assim, ele
optou por realizar um sonho de infância”, emociona-se.

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