Quinta, 19 de Junho de 2008

Arquivo Diário

Reunião da ABCV com Pola Ribeiro - sala cheia!

Publicado por Fausto Junior em 19 Jun 2008 | sob: Notícias

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A reunião semanal da ABCV teve como convidado no dia 18 de junho o cineasta e Diretor-geral do IRDEB, Pola Ribeiro.

Com a sala cheia (cerca de 40 pessoas), Pola fez um painel geral sobre o que tem sido feito e os projetos em andamento em relação ao audiovisual na Bahia: a aproximação cinema e TV; editais e licitações; o pólo ou rede audiovisual, onde se começa a criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de toda a cadeia produtiva do audiovisual no estado.

18 06 08 1938 - 18 06 08 1938

Em abril a convidada foi Sofia Federico, Diretora da DIMAS, e para julho está programada a presença do Secretário Estadual de Cultura, Márcio Meirelles.

As reuniões da ABCV acontecem todas as quartas a partir das 18:30 h na Sala de cursos da DIMAS, Barris e são abertas ao público.

18 06 08 1936 - 18 06 08 1936

18 06 08 1937 - 18 06 08 1937

18 06 08 1940 - 18 06 08 1940

TV PÚBLICA, UMA TV DE TODOS NÓS!!!! por Solange Lima

Publicado por Fausto Junior em 19 Jun 2008 | sob: Notícias

Depoimento de Solange Lima, Presidente da ABD Nacional, sobre a saída de Orlando Senna da Direção Geral da EBC - Empresa Brasil de Comunicação:

Hoje o meu Diretor de Comunicação na ABD Nacional, Cândido Alberto da Fonseca, ao receber a notícia da saída do Orlando Senna, citou a frase do filme “Coronel Delmiro Golveia” que não por acaso tem como Roteirista o próprio Orlando Senna: “Atiraram no Coronel e mataram a Fábrica”…

Confesso que ainda estou em estado de choque. Recebi a noticia em pleno festival de Ouro Preto, onde tratávamos do tema memória do Cinema Nacional.

Recebi a notícia quando na tela iniciava-se a projeção do filme TERRA EM TRANSE, do Glauber Rocha. Parecia ironia do destino, ver todo o tema de hoje na tela de ontem. Parecia que voltava no túnel do tempo.

Então fiquei pensando como convocar a nossa classe a reagir, a não entregar de bandeja mais um sonho pelo qual lutamos.

Então fui rever o “Coronel Delmiro Golveia” filme do Geraldo Sarno, roteirizado por Senna, e me detive na cena que abre o primeiro bloco do filme com o incêndio que provoca a fuga de Delmiro do Recife.

Onde o Coronel Delmiro fala: “Pra me atacar, pra me destruir, os chacais de Rosa e Silva e desse governadozim fi-duma-puta tacaram fogo no único mercado onde o povo podia matar a fome”.

Depois me chamou atenção a segunda parte onde vemos Delmiro Gouveia e a indústria nacional, encurralada pelo capital estrangeiro…

E mais uma frase de um dos operários da fábrica ecoavam nos meus ouvidos:

“Seu Delmiro mandou a gente fazer a fábrica, a gente fez. Os inglês veio e mandou quebra as máquinas e derrubá no rio. A gente quebrou e derrubou”.

Então pensei fomos convocados para criar uma TV Pública, brigamos e acreditamos que mesmo não vencendo em todos os itens estávamos implantando uma nova TV no Brasil e que estaríamos dando um novo passo que esta estaria sendo ajustada aos poucos, sem “assustar” os que contra ela lutavam.

E ai vem a Direção desta TV e nos diz que é para esquecer este modelo, quebrar tudo e apoiar um projeto que não nos contempla, que não é o que apostamos. Vamos obedecer? Vamos nos calar?

Ainda no 2º bloco do filme, já no final, Angiquinho em off, na sua narrativa conduz a cena, explicando: “Agora, o povo daqui nunca esqueceu o Coronel. A fraqueza do Coronel é que ele era só, sozinho mesmo, e aí atiraram nele e mataram a fábrica. Tenho pra mim que ele foi como um exemplo pra nós tudo”.

Acredito que a atitude do Orlando Senna também é um exemplo para todos nós. Sai em silêncio, com classe, sem atacar ninguém, acredito que também por ética, mas também e principalmente, por acreditar que ainda há uma chance para tentar salvarmos esta TV que pode ainda ser Pública.

Então, vamos deixá-lo só? ou vamos pegar este ato corajoso de um homem com quase 70 anos, mas que não tem medo de arriscar tudo em nome de algo maior que é o respeito pelo povo que nele acreditou e por isso apostou neste projeto? Quantos no seu lugar não estaria garantindo a segurança para o futuro de uma velhice “tranqüila” e sem problemas $$$$…?

Vamos nos unir e cobrar a TV que apostamos e acreditamos ser a saída não só para a visibilidade dos nossos filmes, mas de toda uma produção independente no nosso pais.

E finalizando ainda com o filme do Sarno e roteiro do Orlando, o Angiquinho continua: “penso também que o dia em que o povo fizer as fábrica pra ele mesmo aí num tem força no mundo qui pode quebra nem derruba, porque num tem força maior que o do povo trabalhador, que trabalha, como as máquinas, e pensa, que nem gente”.

É isso ai, se entendermos que a TV Pública é uma fábrica que nos pertence, fabrica de fomento e escoamento para as nossas produções, fabrica para levar às telas de cada lar e cada região do País a imagem do verdadeiro Brasil, fábrica onde a diversidade cultural vai estar de fato nas telas e não uma caricatura do nosso povo com falsos sotaques estereotipando um povo como vemos por aí. Vamos de fato ter uma TV Pública onde todos tenham voz e vez. Independente de quem apostou ou não no projeto, mas onde todo o Brasileiro poderá exibir o seu produto, entreter, debater, e transformar uma nação.

Mas para isso temos que nos unir sem siglas, sem partido, mas enquanto povo, enquanto operários da sociedade brasileira para juntos exigirmos uma TV PÚBLICA que de fato retrate a alma do nosso povo e que projete nas telas a riqueza da pluralidade do nosso País!!!!

Vamos ao Planalto, vamos ao Congresso Nacional, vamos aos ministros, vamos ao Presidente da República, vamos à TV Brasil e onde mais preciso for, dizer que a TV nasceu Publica e não pode se enterrar privada. Que as pessoas que criaram este projeto da TV Pública não podem ser descartadas como se não tivesse mais utilidade já que o projeto passou e está no ar. Pois a classe deu um voto de confiança a estas pessoas que já estiveram na classe e hoje estiveram ou estão gestores desta TV.

Solange Lima

Presidente da ABD Nacional